Passageiro E Eternidade

A Bíblia no livro de Gênesis no capitulo quatro e cinco nos dá um claro exemplo sobre a eternidade e a vida vazia e passageira. Esta dicotomia é vista na relação de Abel e Caim.

Abel é o segundo filho de Adão, alguém que o autor de Hebreus chama de justo e cheio de , porque sua vida era condicionada pela palavra e oração em Deus, mesmo que uma palavra oral, era ela que o permitia viver uma vida de princípios. Aos quais fizeram sua oferta ser aceita perante Deus, pois não era apenas composta de um produto, mas de um coração próximo de Deus.

Já Caim, era um homem que vivia pelo seu entendimento e paixão, era imagem da humanidade caída pois construía sua vida por si mesmo, ainda que de certa forma religioso e essa religião não alcançava seu coração e seu modo de vida, por isso sua oferta não foi aceita por Deus, e por isso o Apostolo João o denomina de filho do maligno, já que suas obras eram más.

Nesta oposição nasce o conflito de irmãos, mais do que isso o choque que ocorre e ocorrerá para sempre na terra do Homem, choque entre cobiça x principio.

Transtornado por sua oferta não ser aceita, Caim é dominado por ódio, maldade, rancor, vingança e inveja.

Por isso Deus o aconselha:

Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”. (Gênesis 4.7, NVI).

A palavra aqui usada para o pecado, significa uma besta indomável, pronta para nos conquistar e destruir. Este termo pecado, também é chamado pelo Apóstolo Tiago de cobiça (Tiago 1.15).

Caiam não se esvazia de sua cobiça mas se enche a cada instante levando-o a matar seu irmão e ser condenado por Deus.

Contudo seu erro e sua condenação não leva a Caim mudar o seu modo de vida, mas fortalece as bases da sociedade caída, que alimenta esta besta da cobiça e substitui o espaço de Deus com a cultura.

Por isso veremos Caim estabelecer em Node, que significa passageiro e errante, correndo para se preencher e alimentar sua besta. Então sua descendência promoverá diversos feitos, como a criação da primeira cidade, formação da música, da metalurgia e da ciência agrícola.

Portanto, procura todos os meios para substituir a Deus e alimentar sua besta interna. Esta prática continua em nossos dias, pois as pessoas procuram o consumo, entretenimento, relacionamento, ciência e trabalho para preencher a sua vida. Não que sejam coisas ruins, não são, mas elas procuram de forma descontrolada e desesperada a qualquer custo levando assim ao mundo caótico de hoje.

Já a descendência de Abel, que é continuada pelo seu irmão Sete, constrói uma sociedade dependente e cheia de Deus, que não vive a mercê de sua besta e de sua cobiça, mas dos princípios de Deus. Por isso nela encontramos Enoque, que agradou tanto Deus que foi arrebatado para junto dEle e Noé, homem promissor que fez Deus reconstruir a humanidade segundo sua descendência, e fez seus atos e suas vidas viverem na Eternidade.

Portanto o novo homem dito por Paulo, Efésios 4.22-24,é a construção constante da oração e da palavra, que nos faz sermos cheio de Deus e não deixarmos de sermos controlados pela besta da cobiça, e sim vivermos segundo os princípios, que mudam a nossa vida e as pessoas ao nosso redor.

Texto: Lucas Vicente.

*NVI – Nova Versão Internacional.