O Monge Reformador – Martinho Lutero- Parte Final

Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”. Romanos 1:17. NVI

 

Continuação (mensagem do dia 04/07/2021)

 

Em 1518, após a publicação de suas 95 Teses, abriu-se um processo contra Martinho Lutero, que ele cometia heresia. No período que ministrava suas aulas na Universidade de Wittenberg, era vigiado por informantes, que o denunciavam a Roma, ele foi acusado formalmente pelo Papa Leão X de Heresia Notória, teria que ir se justificar e desmentir seus ensinamentos e seus escritos.

 

Mas, Lutero alegando estar enfermo, recusou a ir a Roma, ele pediu para ser ouvido na Alemanha. Esse pedido foi aceito, e ele foi convidado para ir a Augsburgo, onde foi interpelado pelo cardeal Caetano de Vio, que insistia a ele para negar sua doutrina, e retratar-se. Mas Lutero não o fê-lo. E durante a noite fugiu, voltando para Wittenberg.

 

Com a morte do Imperador Maximiliano, em 1519, e seu sucessor Carlos V, volta a carga para inquiri-lo. Nesse interim, por meio de um documento papal, a Bula, Lutero é excomungado. Ele ao recebê-la, junto ao povo que o aclamava, faz um gesto de não aceitar tal ordem, queimando-a em praça pública.

 

No entanto, novo pedido para que se explicasse e retrata-se foi ordenado. Mas, protegido por Frederico III, príncipe da Saxônia, intercedeu junto a Roma. Em 1521, na cidade de Worms, território alemão, foi promovida outra audiência, desta vez presidida pelo novo Imperador Carlos V, que lhe deu um salvo conduto, para a sua apresentação. Essa assembleia política, chamada de Dieta de Worms, ocorreu para ele responder a seus acusadores. Certamente, essa Dieta, era para que ele se retrata-se e negasse seus ensinamentos ou seria condenado, preso e posteriormente executado. Mas na audiência, o que ninguém imaginava, seria que Lutero não negou seus escritos e nem se retratou, fazendo a seguinte declaração:

 

“Se não me refutardes pelo testemunho das Escrituras ou por argumentos – desde que não creio somente nos papas e nos concílios, por ser evidente que já muitas vezes se enganaram e se contradisseram uns aos outros – a minha consciência tem de ficar submissa à Palavra de Deus. Não posso retratar-me, nem me retratarei de qualquer coisa, pois não é justo nem seguro agir contra a consciência. Deus me ajude! Amém.”

 

Depois disso, as suas palavras criaram eco na cidade de Worms. Mas os papistas, não desistiram da sua perseguição, e queriam que o Imperador cancelasse o salvo conduto, e o entrega-se a eles para ser levado a Roma, por força do Édito de Worms, que o bania da Alemanha, foi considerado criminoso, seus livros deviam ser apreendidos e queimados, e quem o ajudasse seria também considerado proscrito. Mas esse documento só entraria em vigor ao fim do salvo conduto.

 

Lutero, ao regressar a sua cidade, Wittenberg, no meio do caminho, é sequestrado, por um grupo de cavaleiros mascarados. Mas seu destino, tinha um lugar preparado por seu sequestrador, o Castelo de Watburgo, em Eisenach, residência oficial de Frederico III, que lhe deu salvaguarda, antes de seus inimigos o assassinassem no trajeto.

 

Em suma, Lutero nesse período de convidado aos domínios de seu defensor, assumiu o pseudônimo de o Cavaleiro Jorge, deixou a barba crescer, e pode traduzir o Novo Testamento para a língua nativa, o alemão, em apenas em 11 semanas. Com o surgimento do invento da Prensa de Gutemberg, a publicação do Novo Testamento e posteriormente a Bíblia na sua integra. Foram vendidos mais de 100 mil exemplares, em 40 anos, e 52 edições impressas em outras cidades, números expressivos para a sua época, mas Lutero não aceitou um centavo de direito.

 

Em resumo, Lutero em 1521, celebrou o primeiro culto protestante, em 1525, se casou, pois não era mais um clérigo católico, com Katharina Von Bora e tiveram 6 filhos. Em 1546 veio a falecer. Trouxe os princípios e os pilares do protestantismo: Sola Gracia, Sola Fide e a Sola Scriptura. Lutero não queria dividir a igreja, mas a igreja de sua época, ou melhor, os religiosos não queriam os seus ensinamentos na Palavra de Deus, pois iam contra os seus interesses. Ele aliava todo o seu êxito, não a sua inteligência, mas ao tempo que passava em comunhão com Deus em oração.

 

Ore: Pai Amado, Pai Querido, te peço que eu esteja sempre em comunhão com o Senhor em oração e lendo e praticando a Sua Palavra. Eu oro em o nome de Jesus.

 

Texto e vídeo de Greg Vicente

 

baseado na obra Heróis da Fé, de Orlando Boyer, páginas 13 a 30. Editora CPDA.

 

Gregório Vicente é Pastor, Administrador, Teólogo e Escritor. Casado há 39 anos. Tem dois filhos casados e duas netas.