O Homem Fáustico

“Será também como o faminto que sonha, que está a comer, porém, acordando, sente-se vazio; ou como o sedento que sonha que está a beber, porém, acordando, eis que ainda desfalecido se acha, e a sua alma com sede; assim será toda a multidão das nações, que pelejarem contra o monte Sião. Tardai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte”. (Isaías 29.8-9)

Fausto o personagem da grande obra de Goethe, representou claramente o espirito do homem moderno. Um espirito alimentado pelo desejo sem fim pelo novo. O turbilhão do progresso guia sua caminhada desfazendo o velho a qualquer custo. Custo que condenado apenas um valor do lucro.

Esta é a motivação de Fausto que o faz vender a sua alma ao diabo, para assim com toda sua força possa levar a modernização: e todo o seu ensejo de tecnologia, de ciência, do capitalismo, da indústria…

Mas mesmo com sua rede infinita e seu domínio sem fim, onde o sol nunca dorme, ou se apaga, nas quatro direções do mundo, ainda sim o homem Fáustico, ouve o desejo incontínuo de continuar:

“Meu reino é infinito diante dos olhos; pelas costas eu ouço a zombaria”. (GOETHE, FAUSTO)

Contudo este transe do homem moderno, não tem dominando as mentes poderosas das indústrias ou do poder, mas tem adentrado com um transe em meio à sociedade, fazendo então a cada dia escrava de uma fome insaciável pelo novo, produto, tecnologia, noticia beleza… Somente o novo presta.

Assim criando uma sociedade como no texto de Isaías, entorpecida e bêbada em si mesma, tentando acabar com uma fome que não tem fim. Construindo um mundo de contrastes da desigualdade, maldade, violência, exploração, subjugação… Pois o que importa é o novo e progredir.

Temos que acordar de sono onírico, do fetiche do novo, percebermos que mais importante que o desejo e a si mesmo é o outro. Devemos como sociedade parar de pensar só em si, para procurar a quem precisa de um carinho, de uma palavra amiga e de cumprimento.

Uma sociedade que diz NÃO aos interesses particulares do homem Fáustico, mas procura os interesses de bem comum e assim desfaz o prisma acinzentado e desesperançoso de nossos dias.