Mercadoria Ambulante

“Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado”. Tiago 4.14-17 – *NVI). 

Nossa vida é com neblina, que agora existe e rapidamente desparece, o que nos resta? 

A mortalidade humana é inspiradora, porque nos leva a pensar o que será de minha vida transitória na imensidão do tempo. Mesmo cristãos sabemos que ainda que vivamos uma eternidade com Cristo, devemos medir qual será a ressonância de nossas vidas sobre a dimensão da vida.

Como o texto de Tiago nos ensina, não podemos pautar nossa vida a limitação do trabalho e do dinheiro, nossa vida seria muito limitada se vivermos apenas por isso. Deixamos nos coisificar pelo sistema capitalista que faz de cada indivíduo uma mercadoria ambulante para ser comprada e ingressada nas engrenagens do capitalismo.

Vivendo seu sonho, continuo sem fim, o da novidade, ele guia nossas percepções e nos faz viver por elas, trabalhamos toda uma vida para viver o novo carro, novo apartamento, novo celular, novo computador… o novo comanda o que queremos ser, nos doutrinando desde cedo ao consumo e ao trabalho.

Por isso, Tiago exorta mostrando que antes de tudo nossa vida não é uma mercadoria, nem deve viver um sonho onírico do novo, no entanto entender qual é nosso propósito aqui neste mundo, neste tempo, que possa transformar a realidade e fazer mais de que uma coisa codificada a compra, mas um ser que pensa, ama, importa-se, e acolhe uma sonho diferente de todos outros, sonho de cumprir a vocação de Deus em nossa vida.

Vocação não pautada no dinheiro, nem limitada ao trabalho, vocação que se forma como maneira de deixar seu rastro no tempo dos homens, que nos preenche e nos conecta a vida, tornando-nos verdadeiramente vivo, pois aproveita toda a nossa vitalidade para pintar uma nova realidade, qual nós acreditamos, que não é codificada num comercial da televisão, mas imprimida no nosso coração, em nossa alma para transpor o bem na terra dos homens.

Isso realmente não passa, e se dirige para além da materialidade, para além do desmanchar da vida. Portanto esta mentalidade deveria ser de praxe de cada cristão em sua vida, contudo nos deixamos amoldar no conformismo da coisificação e do sonho onírico, esquecemos de viver uma vida além do consumo e trabalho, fazemos o movimento cristão, voltar a dormir em meio a nossas teologias, em nossos lindos templos, lotados de vidas conformadas.

Possamos então, acordar e viver um cristianismo que se tece no práxis histórico, se constrói na realidade dos necessitados, dos francos, dos perdidos, dos abandonados, como também diz Tiago 1.27, esta é a verdadeira religião.  

Texto: Lucas Vicente

* Tradução: Nova Versão Internacional