Jonh Paton entre os Canibais

“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim”.

Isaías 6: 8. ARA.

 

John G. Paton, nasceu na Escócia em 24 de maio de 1824. Era o quarto filho entre onze irmãos, de uma família pobre e devota ao cristianismo. Seus pais James e Janet, ensinava seus filhos no caminho de Deus. James era um homem que orava 3 vezes por dia, e realizava o culto doméstico, onde todos de sua família participavam ajoelhados. John aos 12 anos de idade entregou sua vida a Jesus e já sentia em seu coração, um chamado para ser missionário. Desde criança aprendeu o ofício de seu pai, que tinha uma fábrica de meias, aprendendo a manusear várias máquinas, essa habilidade seria de muita utilidade durante toda a sua vida. Em sua juventude, se mudou para Glasgow, onde teve seus estudos direcionado para teologia e medicina. Em busca de seu propósito em participar de missões, se envolveu com serviços de evangelismo, durante 10 anos, de 1847 a 1857, na Glasgow City Mission, um tipo de missão urbana, que resgatava pessoas do alcoolismo.

 

Enquanto isso, John ao participar de uma reunião sobre missões nas Ilhas das Novas Hébridas, um arquipélago de 83 ilhas, ao sul do Pacífico, na Oceania, dirigida pelo Dr. Bates, presidente da Comissão de Missões entre Pagãos, relatou que estava à procura de um missionário interessado nesse trabalho, que já fazia 2 anos e ninguém se candidatara. Paton, sentiu em seu coração o Senhor lhe chamando para se oferecer para ir, e um impulso irresistível de responder ao chamado, e dizer “Eis me aqui, envia-me a mim!”, mas se conteve, pois ainda não se sentia preparado.

 

Acima de tudo, John sabia que só poderia ter essa certeza, buscando o Senhor em oração. Quando decidiu, por se oferecer a esse trabalho, muitos estavam contra essa sua ideia, pois os riscos de doenças e da possiblidade de ser morto e devorados pelos indígenas canibais seria constante, a ponto de quando questionado sobre esse assunto respondia: “o dia que uma pessoa morre será enterrada, e em seu túmulo será devorada pelos vermes, mas se eu morrer honrando a obra do Senhor Jesus, não me importo se for devorado pelos canibais ou pelos vermes, pois quando meu corpo for ressuscitado, no Grande Dia, será semelhante a do meu Redentor”. Mas teve a confirmação de Deus, pela anuência de seus queridos pais, que disseram: “que eles há muito tempo o tinham entregado ao Senhor, e o deixariam ao dispor de Deus”.

 

Como resultado, em 1858, dessa sua decisão, a Igreja Presbiteriana Reformada, o ordenou a Ministro do Evangelho, designando o Missionário para as Ilhas das Novas Hébridas, antes de partir se casou com Mary Ann Robson. O casal Paton foram primeiro para Austrália, e depois seguiram para a Ilha Tanna, uma das ilhas das Novas Hébridas, para estabelecerem uma nova base missionária. Sua viagem da Escócia até se estalarem no novo campo missionário, durou 7 meses. Certamente a esperança santa e amorosa, que refletia nos corações dos Patons, para com aquele novo trabalho missionário, sofreu um duríssimo percalço. Nos meados de fevereiro de 1859, Mary Ann, deu à luz a uma linda criança, que trouxe muita alegria a eles, mas 1 mês depois, após uma crise de malária, a jovem esposa, não resistiu, e veio a falecer e para culminar tamanha tristeza que se abateu no coração de John, 20 dias depois, o seu bebê também. Mesmo, com tamanha dor e sofrimento, John, sabia que perante situação tão desesperadora, devemos amar e servir a Jesus, e estarmos prontos, para quando findarmos o nosso tempo, e permanecermos com Ele na Eternidade ao seu chamado.

 

Depois disso, John deu continuidade ao seu trabalho na ilha, mas com o decorrer do tempo, em 1861, um missionário canadense e sua esposa, na ilha de Erromango, vizinha a sua, foram massacrados. Encorajados por esse ato, os nativos de Tanna, tentaram por várias vezes contra sua vida, mas escapando milagrosamente de todas investidas, até que teve que fugir para a Austrália.John, não desistiu! Na cidade de Nova Gales do Sul, para onde fora sua fuga, determinou que encontraria uma Igreja que pudesse contar a sua história. E foi isso que ocorreu, onde pelo poder do Espírito Santo, aquela Igreja, o recebeu com tamanha alegria, que nos 45 anos restantes de sua, seria participante no ministério junto a ela. Esse seria um marco em seu tempo de missões, para qual foi criado, em 1890, o “Fundo de Missões John G. Paton, que instalou e assegurou missionários em todas as ilhas do arquipélago.

 

Enquanto isso, John fez sua primeira visita a Escócia em 1863 e permaneceu até 1864. Nesse interim reviu sua família, participando dos cultos domésticos como era de costume. E se casou novamente, com a irmã de um outro missionário, Margaret Whitecross, e partiram de volta para as ilhas do Sul. Nesta nova empreitada se estabeleceu na Ilha de Aniwa. Uma ilha menor, pouca ou quase nenhuma reserva de água potável, seus nativos muito pobres, e com os mesmos costumes de adorarem vários deuses, de praticarem o infanticídio e sacrifícios das viúvas, assim como do canibalismo contra os seus inimigos derrotados por guerra ou peleja. Mas permaneceu por lá, por 15 anos, descobrindo água potável, por meio da construção de poços e pelo amor aos povos não alcançado pelo Evangelho de Cristo.

 

Em suma, John Paton, teve 10 filhos, um deles, Frank, deu continuidade ao seu trabalho missionário naquelas ilhas. Seu legado, em Aniwa, pela sua persistência e pelos milagres ocorridos, todos se converteram ao cristianismo e foram missionários nativos para as outras ilhas. Editou a tradução do Novo Testamento no idioma de Aniwa, assim como hinos e criando um dicionário para o seu povo. Seus últimos anos de vida, passou em Melbourne, Austrália, vindo a falecer 28 de janeiro de 1907, com 82 anos de idade. Em resumo, hoje o nome desse arquipélago é Vannatu, e 85% de sua população se declara cristã.

 

Ore: Pai Amado, Pai Querido, que eu posso te servir todo o tempo, em qualquer lugar, onde o Senhor quiser; eis me aqui, envia-me a mim. Eu oro em nome de Jesus.

 

Texto e vídeo de Greg Vicente

 

baseado na obra Heróis da Fé, de Orlando Boyer, páginas 151 a 164. Editora CPDA.

 

Gregório Vicente é pastor, teólogo, escritor, administrador de empresas, casado há 39 anos. Tem dois filhos casados e duas netas