John Bunyan: O sonhador imortal | Heróis da Fé

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” Jeremias 29:11

John Bunyan (1628-1688)

 

“Caminhando pelo deserto deste mundo, parei num sítio onde havia uma caverna (a prisão de Bedford): ali deitei-me para descansar. Em breve adormeci e tive um sonho. Vi um homem coberto de andrajos, de pé, e com as costas voltadas para a sua habitação, tendo sobre os ombros uma pesada carga e nas mãos um livro”.

 

Faz três séculos que John Bunyan assim iniciou o seu livro, o Peregrino. Os que conhecem as suas obras literárias podem testificar de que ele é, de fato, “o Sonhador Imortal” – “Estando ele morto, ainda fala”. Contudo, enquanto miríades de crentes conhecem o Peregrino, poucos conhecem a história da vida de oração desse valente pregador (BOYER).

 

Bunyan era funileiro e, como acontecia com todos os funileiros, era paupérrimo; quando se casou ele não possuía nada nem um prato nem uma colher – apenas dois livros: O Caminho do Homem Simples para os Céus e A Prática da Piedade, obras que seu pai, ao falecer, lhe deixara.

 

Procurava com ardor de sua alma a salvação “das penas eternas” como escrevera, na sua luta para sair da escravidão do vício e do pecado. Não fechava a alma aos perdidos que inoravam os horrores do inferno.

 

Acerca disto ele escreveu:

“Percebi pelas Escrituras que o Espírito Santo não quer que os homens enterrem os seus talentos e dons, mas antes que despertem esses dons…”

 

Bunyam enfrentou todo tipo de perseguição Satanás, vendo-se grandemente prejudicado pela obra desse servo de Deus, começou a levantar barreiras de todas as formas. As autoridades civis o sentenciaram à prisão perpétua, recusando terminantemente a revogação da sentença, apesar de todos os esforços de seus amigos e dos rogos da sua esposa – tinha de ficar preso até se comprometer a não pregar mais Bunyan responde enfático: “-Se me soltarem, amanhã pregarei.”

 

Passou mais de doze anos encarcerado. É fácil dizer que foram doze longos anos, mas é difícil conceber o que isso significa – passou mais da quinta parte da sua vida na prisão, na idade de maior energia. Depois de liberto, pregou em Bedford, Londres, e muitas outras cidades. Era tão popular, que foi alcunhado de “Bispo Bunyan”.

 

Mas como se pode explicar o maravilhoso sucesso de Bunyan? Como pode um iletrado pregar como ele pregava e escrever num estilo capaz de interessar à criança e ao adulto; ao pobre e ao rico; ao douto e ao indouto? A única explicação do seu êxito é que “ele era um homem em constante comunhão com Deus”. Apesar de seu corpo estar preso no cárcere, a sua alma estava liberta.

 

O fenômeno da vida de João Bunyan consistia no seu conhecimento íntimo das Escrituras, as quais amava; e na perseverança em oração ao Deus que adorava. Se alguém duvidar de que Bunyan seguia a vontade de Deus nos doze longos anos que passou na prisão de Bedford, deve lembrar-se de que esse servo de Cristo, ao escrever O Peregrino, na prisão de Bedford, pregou um sermão que já dura quase três séculos e que hoje é lido em cento e quarenta línguas. É o livro de maior circulação depois da Bíblia. Sem tal dedicação a Deus, não seria possível conseguir o incalculável fruto eterno desse sermão pregado por um funileiro cheio da graça de Deus!

Oração:  Pai realiza em minha vida a Tua vontade para deixar um legado, por mais que possa aparentemente e momentaneamente ter obstáculos, perseguições e perdas. Em nome de Jesus. Amém!

Texto: Mônica Vicente.

Referência Bibliográfica: BOYER, Orlando, Heróis da Fé, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2002