ESTUDO MULHERES DA BÍBLIA: Maria – Irmã de Lázaro.

“Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.   Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”.(Lucas 10.38-42, AA).   

Esta passagem é muito costumeira em meio aos estudos bíblicos, mas o que não é costumeiro é entendermos as tradições judaicas que Maria precisou enfrentar e deixar de lado para ficar aos pés de Jesus.

Diferente da bíblia, as tradições judaicas eram incisivamente patriarcais, algo comum e notório na antiguidade. Por isso as mulheres não comiam com os homens, mas ficavam de pé enquanto eles comiam, servindo-os á mesa. Nas ruas e nos átrios do templo, elas ficavam a uma certa distancia dos homens. Sua vida se passava em casa, e com frequência ficavam nas janelas que davam para a rua e tinham grades, para que não fossem vistas.

Nos primeiros tempos elas nunca saiam sem véu, era impróprio que uma israelita falasse a um homem na rua, até mesmo – na verdade, acima de tudo – se fosse seu marido. Contudo cabia ao Marido dar total manutenção a mulher, que deveria dar-lhe teto, alimento e vestuário segundo sua posição e meios, caso não fosse mantida adequadamente, ela poderia pedir auxilio e proteção ao Pai e este repreenderia o genro. Em geral não era necessário, pois os israelitas gostavam de ver suas esposas bem vestidas, adornadas com colares, anéis e broches.

 A posição da mulher judia no mundo religioso era definida na declaração perseverada na Talmud: “As mulheres ficam isentas de todos os deveres …” isto indica que elas não precisavam recitar o Shema, comparecer á leitura da lei, nem usar filactérios e roupas franjadas, viver em tendas  na festa dos tabernáculos, e assim por diante, mas essas coisas não lhe são proibidas, e os rabinos diziam: “diante de todo os mandamentos da torá, homens e mulheres são iguais”.

Então percebe-se que Maria não tinha direito social de estar na mesma sala que Jesus, muito menos aos seus pés ouvindo-o, pois provavelmente estava falando para os discípulos que estavam com Ele e a família de Lázaro, ou seja espaço do homem, mesmo com a justificativa de estar adorando ou ouvindo a Deus, ela não tinha este direito de ficar no espaço. Pois ela deveria faze-lo num espaço para mulheres. Por isso o papel da mulher neste espaço era o de Marta, que era servi-lo e foi o que ela fez e se moeu de servir.

As pessoas se enganam achando que Marta não deu importância a Jesus em sua casa, mas na verdade ela estava servindo-o, mas a questão é que Maria descobriu algo que era mais importante que as regulamentações sociais, mais importante que sua própria vida, pois sua postura poderia ser considerada de uma sodomita e prostituta.  Isso tudo ficou de lado,  já que o mais importante era ouvir as palavras do mestre, pois somente Ele tinha as palavras de vida eterna.

Por isso não podemos deixar as regulamentações sociais limitar o nosso entendimento e a busca de Deus, pois estas tradições para nada servem além de nos limitar no relacionamento com Deus, como aconteceu com Marta.  Assim não importa que você vai enfrentar para praticar os valores de Cristo e de Sua Palavra(Bíblia), se as pessoas vão lhe perseguir ou falsamente lhe acusar, o importante é como Maria escolher a melhor parte, que é estar ligado com Deus o amando e amando o próximo em todos espaços da vida. 

Texto: Lucas Vicente.

*AA – Almeida Atualizada.

*Talmud – Livro da lei oral.

*Shema – São oração feitas pela manhã e pela tarde, normalmente lendo Deuteronômio 6.5 ao 10; mas haviam diferentes Shemas como a das 18 bençãos que eram repetidas 3 vezes ao dia.

*Filactérios – Era uma tira estreita de pele ou pergaminho que tinha escrito uma passagem da escritura, normalmente Deuteronômio 6.6 ao 8, que traziam enrolado no braço ou na cabeça.