Do Noivado ao Casamento

 

Após o acordo das famílias sobre casamento, era muito importante, especialmente nos casos em que os noivos mal se conheciam ou nem mesmo se tinham conhecido antes, terem período de no mínimo um ano. Já no caso das viúvas durassem apenas um mês.

Duas condições eram claramente distinguidas: o noivado e o casamento. Os jovens que tinham feito um acordo com vistas ao casamento, ficavam noivos, mas não eram considerados como verdadeiramente casados. Segundo as palavras de Deuteronômio, até que o marido “a recebesse” a posse, haknashah, era na verdade a “união” de dois seres por toda a vida. Os direitos e obrigações durante o noivado que eram quase os mesmos do casamento.

Antes da união matrimonial havia necessidade de decidir uma questão importante: o dote. Pois, não era o pai que dava a filha, dinheiro ou bens, mas era ele quem os recebia. Ou seja, o dote era dado pelo noivo ao pai da noiva. Este era chamado mohar. Seria um preço de compra? 

Cerca cinquenta siclos de prata constituía um mohar adequado. Uma vez chegados a um acordo quando a soma, era preparado e assinado. Então o noivo também deveria oferecer à futura esposa uma coleção de presentes, que recebia o nome de mattan. Este presente era dado após a noite de núpcias, mas sim um dote que a mulher reteria caso ficasse viúva.

Vinha agora o casamento, a festa a que Jesus repetidamente referiu-se nas parábolas, o outono era a melhor época para essas épocas festivas: a colheita já tinha sido feita, a víndima terminara, as mentes estavam livres e os corações em repouso. Na véspera do grande dia o noivo, acompanhado por seus amigos, ia buscar a noiva na casa do pai dela. Ele usava roupas especialmente feitas para a ocasião e alguns usavam até uma coroa, seja para seguir o exemplo de “Salomão” ou por causa da passagem em Isaías. Formava-se uma procissão. Organizada pelo “amigo do noivo”, que atuava como mestre de cerimônias e que ficava ao lado dele todo o tempo, “regozijando-se também”. A noiva era levada numa liteira, com o cabelo cobrindo os ombros, um véu no rosto e círculos dourados sobre a testa; durante todo o percurso o povo cantava aqueles hinos nupciais como os contidos nos cantares de Salomão:

“Que é isso, que sobe do deserto, como colunas de fumo, perfumado de mirra e de incenso, e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?”

A procissão chegava assim á casa do noivo. Os pais deles pronunciavam então a benção tradicional que era acompanhada por todos os presentes, expressavam os seus votos de felicidade e fertilidade no casamento. Sendo este era quase o único elemento religioso nas bodas. A noite passava entre jogos e danças.

No grande dia, o noivo participava, mas a noiva se retirava em companhia das amigas, as damas-de-honra, para um quarto preparado para ela. Os homens mais jovens participavam de vários tipos de jogos, onde exibiam suas habilidades, e as moças, como podemos ler no tratado taan, dançavam nas vinhas, cantando para atrair a atenção dos que pudessem estar pensando em casar-se. Realizava-se um banquete no final do dia, ficando os homens e mulheres separados durante o banquete. Esta era hora, em que o noiva e o noivo se davam presentes. As damas-de-honra ficavam ai redor da noiva vestidas de branco – havendo geralmente dez delas. A noiva ficava sentada debaixo de um toldo, o huppah, que fazia parte do ritual desde há muito tempo.

Casamento

O noivo lhe canta belos hinos de amor com cantares, como “Beija-me … melhor é o teu amor do que o vinho … leva-me após ti, apressemo-nos!”. Ao que o noivo respondia, dirigindo-se para ela: “Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem. Pomba minha, que, andas pelas fendas dos penhascos no esconderijo das rochas escarpadas.”

Então finalmente o esposo chegará, e felizes ficavam as virgens sábias, que possuíam óleo suficiente em suas lâmpadas para brilhar sobre o encontro. “Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa” ,cantava o noivo, elogiando os encantos da noiva. Posteriormente, as sementes eram então lançadas diante do casal ou esmagavam uma romã – ambos ritos antigos de fertilidade – um vaso cheio de perfume era quebrado. Uma promessa solene e uma benção era possivelmente dado por um representante da comunidade.

Então todos ocupavam a mesma mesa: todos comiam e bebiam muito. As festividades duravam sete dias, e certas vezes o dobro desse prazo.

Na primeira noite o jovem casal desaparecia e as bodas eram consumadas, onde os lençóis manchados de sangue eram guardados como lembrança da noite de núpcias. Isso ocorria provavelmente para a mulher ter provas contra futuras insinuações por parte do marido, remetendo a Deuteronômio 22. Depois disso o jovem casal voltava para participar da alegria das canções e danças sob o céu estrelado.

Texto: Lucas Vicente

DANIEL – ROPS,  Henri. A Vida Diária Nos Tempos de Jesus. 3ª ed. rev. São Paulo; Vida Nova, 2008. p.  142 – 144.