De Quem é a Culpa?

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” (Mateus 7.12- *NVI).

Nosso país tem uma das maiores densidades cristãs no planeta, contudo vivemos no segundo país com o maior número de homicídios do mundo segundo a ONU, onde 40% das mortes são resultados de causas triviais, de discussão, por pura bobagem; somos reconhecidos por sermos um país corrupto: de jeitinhos e malandragens, onde fazemos de tudo para passar na frente do outro;  nossa realidade marcada por desigualdades, abismos sociais, a riqueza e miséria são separadas por poucas ruas.

E de quem é a culpa disso tudo? Do nosso presidente de mandato de quatro anos, ou talvez da nossa eterna câmara e senado, nosso país é corrupto, apenas por culpa de nossas autoridades de nosso país?

Certo prêmio Nobel de 2011 de economia, demonstra que a política econômica de um país não determinado de forma macro, mas é formada por um caminho bilateral, então também influenciado pelo micro. Entendendo que as relações dos circuitos econômicos, não são só condutores econômicos, mas culturais, como já mostrava Braudel, podemos concluir, que as práticas corruptas, violentas e sem responsabilidade do governo central são reflexo da própria cultura micro, do espaço local.

Sendo assim, as práticas culturais das nossas autoridades só são ampliação e o reflexo de nossas práticas locais e cotidianas. 

Em suma, a culpa não é de uma pessoa, de um partido, de nosso país ser assim, perdemos muito tempo procurando de quem é a culpa, para entendermos o que devemos achar é o caminho da mudança.

É isso que Cristo estava tentado ensinar para sua sociedade, que o cerne da lei, que sua realidade mudaria, quando aprendesse a amar o outro como a si mesmo, é não por constituir um novo Estado por meio da força, com uma revolução. A resposta estava no micro, na construção de uma nova dinâmica cultural, que faz eu e você amar outro, invés de odiar, de revidar com bem em vez de mal, de perdoar ao invés de procurar vingança. Desta forma acabamos com ciclos da individualidade, do mal e do ódio.

Por isso, cabe, eu, você, todos nós mudarmos nossas práticas cotidianas, pois elas reproduzem nossas práticas não só no micro, mas também no macro. Assim nossas relações devem se basear nestes princípios, onde o próximo é mais importante, que uma vaga, que uma fechada, de um erro, assim mudamos a estatística do trânsito, que ao invés de matar 50.000 mil pessoas por ano, com novas práticas podemos gerar vidas por dia e não morte.

Como também, não promover a corrupção mentindo, entrando em esquemas em empresas privadas e públicas, por que assim estaremos amando verdadeiramente o próximo, este país, pois desta forma podemos erradicar a corrupção.

Agora é tempo de nós pararmos de achar que mudança vem do nada, vem somente de uma pessoa, de um partido, mas ela começa em nossas relações pessoais, por isso é pela oração que começamos, pois uma vida melhor e um caminho melhor está nos esperando.

Texto: Lucas Vicente

* Tradução: Nova Versão Internacional