Como Falar?

“Porque, embora seja absolutamente livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas.  Tornei-me judeu para os judeus. Para os que estão subjugados pela Lei, tornei-me como se estivesse igualmente sujeito à Lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei, com o objetivo de ganhar aqueles que estão dominados pela Lei.  Para os que estão sem Lei, tornei-me como sem lei vivesse , a fim de ganhar os que não têm a Lei”.  (I Coríntios 9.19-21 – KJA)

O Apóstolo Paulo foi um dos principais interlocutores da expansão missionária da igreja primitiva em meio ao arquipélago de culturas do mundo greco-romano.

Já que sua missão conseguiu alcançar multidões de ouvintes, e instaurou as bases da igreja gentílica(não judeu), pois centrou o seu discurso pensando antes de tudo, qual era o seu ouvinte. Ou seja utilizou dos elementos culturais de cada cultura para assim propagar a fé, de forma próxima e segundo o lugar social do outro.

Como por exemplo, quando Paulo anunciou o evangelho em Atenas (Atos 17.16-31) no Areópago (assembleia de discussão religiosa e moral), utilizou de uma linguagem cultural própria grega, para falar como um deles, não acima. Como citando, que os atenienses era um povo religioso, por haver grande número de ídolos pela cidade, no qual alguns historiadores diziam que havia mais de 30 mil ídolos; apresentando uma delas, que era para o culto do Deus do Desconhecido, para introduzir uma nova cultura religiosa, que estava obscurecida até então. Por fim, situa um Deus pessoal, relacional ao homem e “salvático”, interligando alguns autores gregos como sustentação de seu discurso, como Epimênides, Arato e Cleanto.

Portanto, a fala cristã tem que sair dos clichês emotivos e dos arcabouços culturais, para adentrar a particularidade do indivíduo, não apenas para ser entendido, mas para tornar-se próximo e consequentemente verdadeiro.

Assim as pessoas não darão ouvido a nossa fala, se não colocarmos segundo o que elas estão sentido, pensando, sofrendo…Frases de efeitos como “Jesus te ama”, não terão valor, vista de cima, do cume de sua santidade e superioridade.

Por isso, Paulo informa que se situava ora como grego, como judeu, como o que for necessário para se colocar no lugar do outro. Sentido, pensando, sofrendo com estes, pois os amava e queria vê-los transformados, alcançados pelo seu amor de fato e verdade. Diferentemente do religioso que fala de cima para baixo, de forma distante sem conhecer o lugar social do outro, tornando seu discurso vazio, sem sentido, religioso e arrogante.

Então antes de iniciarmos a nossa fala, nos colocamos no lugar do outro, para inexoravelmente amá-los, sofrendo, chorando, orando, desejando conjuntamente mudar o horizonte vivido. Amém!

Texto: Lucas Vicente

*Tradução: King James Atualizada