A Família Judaica “Meu Osso E Minha Carne”

 
É meu osso e minha carma”, era um termo muito usado pelos judeus, onde os membros da família sentiam-se realmente como sendo da mesma carne e sangue; e ter o mesmo sangue significava ter a mesma alma. A lei tinha um forte caráter familiar – a Pascóa, por exemplo tinha de ser celebrada em família. Elo religioso familiar era tão vigoroso que nos evangelhos e no livro de Atos vemos que os pais que aceitavam os ensinamentos de Cristo levavam com eles a família inteira.

A boa sorte de um membro da família significava alegria para todos, por isso os judeus também bem sucessivos praticavam o nepotismo em larga escala, sem envergonhar-se absolutamente disso, quer fossem sumo-sacerdote como Anás ou reis como Herodes e até  homens de influência como Filo de Alexandria. Assim também uma infelicidade ou desonra assombrava a família inteira. Além da importância de ajudar a família e familiares, por isso a ideia de que “não cuidar do irmão” era de fato agir como Caim. Por fim querer bem da família era certificar-se primordialmente a perpetuação da família isto é, casar-se, era então uma questão da maior importância para o homem. “cresci e multiplicai-vos”, sobre cujo texto de um rabino comentou com esta forte expressão “um homem solteiro não é, na verdade, um homem é considerado uma anomalia”. 

Mas havia celibatários por vocação: referidos nos evangelhos como eunucos que “se fizeram assim por amor do reino dos céus” e os nazarenos faziam voto de celibato ou pelo menos continência durante um determinado período de tempo. Esta tendência ao celibato vinha crescendo sob a influência do mundo pagão, pois a procriação era algo divino, totalmente oposto a visão religiosa judaica. Por isso se a primeira mulher era estéril, o marido se via obrigado a tomar uma segunda ou ter uma concubina para procriar. O misterioso jogo de palavras “chamar-se-á varoa (isha) porquanto do varão (ish) foi tomada” era interpretado como a licença para o casamento monogâmico, a seita dos zadoquitas se orgulhava de ser estritamente monogâmica; e o sumo sacerdote estava absolutamente proibido de ter mais de uma esposa, assim também monogamia era principal modelo de relacionamento.

O casamento significa que o marido e a esposa deviam unir-se fisicamente, moralmente e espiritualmente durante toda a vida. O amor se torna um sacramento. Casavam-se cedo em Israel, a idade ideal para o homem era dezoito anos. O pai era aconselhado a fazer casar o filho “enquanto ainda mantinha a mão sobre o seu pescoço”admitiam que era possível esperar até os 24 anos. Já as mulheres a idade ideal para o casamento era quanto estivessem fisicamente aptas para isso (após as primeiras regras ), o que, segundo a lei, era aos doze anos e meio. Maria deve ter dado á luz provavelmente com quatorze anos. As escolhas do casamento eram feita no céu, decididos por Deus quarenta dias depois do nascimento do menino, eram os pais que se referiam a esta tradição, a fim de justificar sua escolha. Assim os rabinos constantemente admoestavam os jovens “reflita longamente antes de escolher esposa, não olhe para beleza, que é passageira: pense na família”. A tradição dizia: “Se algum jovem imbecil fosse tolo a ponto de levar para casa uma esposa de posição inferior, era costume que o pai enchesse um barril de frutas e o quebrasse em público, bradando que jamais reconheceria os filhos dela e que estes não pertencerá a família mas seriam espalhados como os melões, figos e alfarrobas que rolavam para a sarjeta”.

NoNovo testamento nem em qualquer um dos tratados da Talmude se encontra qualquer traço da antiga proibição do casamento exógamo, que significa casamento fora das tribos do povo escolhido. Seria isto porque a proibição era tida como certa? O costume e a opinião pública a teriam absolutamente condenado? Na verdade porque era óbvio o horror geral que os judeus sentiam aos estrangeiros, então não eram necessários tratados ou exortações.

Texto: Lucas Vicente

Bibliografia: 

DANIEL – ROPS Henri a vida Diária Nos Tempos de Jesus. 3ª ed. rev. São Paulo; Vida Nova, 2008. p. 133 – 139.