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Atos Dos Apóstolos - Parte XXV

Publicado: Segunda, 11 Junho 2018 07:30

IV. A DEFESA DE PEDRO – 11.1-18

Para entendermos bem a defesa de Pedro em seu retorno em Jerusalém, e preciso compreender que o sistema político da igreja primitiva não estava assentado em um líder, e sim na assembleia de anciões e da igreja. Portanto, todos os problemas eles resolviam primeiro na assembleia de anciãos, formado pelos apóstolos e discípulos mais maduros, e depois a solução era apresentada para igreja, que se concordando era acolhida sua ação, como em31:

a. A Substituição de Judas para permanecer o número de 12 apóstolos como Jesus havia ordenado. Escolheram primeiro de forma democrática e depois judaica, jogando a sorte. (At.1.15-26).

b. A defesa de Pedro, diante dos anciões, qual sua decisão foi acolhida pela igreja. (At.11.2 e 11.18)

c. A ordenança que as novas igrejas no mundo gentio deveriam formar as assembleias de anciões para realizar seu governo local. (At. 14.23).

d. O concílio de Jerusalém, após o confronto entre a ala de Jerusalém de Tiago, com a ala de Antioquia de Paulo. A discussão foi resolvida no primeiro concílio. Onde primeiro foi ouvido as duas alas pelos anciões (At. 15.2), debatendo até o discurso de Pedro, (15.6-11), depois de Paulo e Barnabé (15.12) e a solução com a mediação no discurso de Tiago (15.13 – 20). Sendo aceito pelos anciões e acolhido pela igreja (At. 15.22). E depois a apresentado ao corpo de ancião em cada igreja gentia. (At.15.23 e 15.30).

Por isso, que Pedro não se ofendeu ao questionamento da igreja de Jerusalém, uma vez que a agremiação de causas na igreja era comum. Além do que, a questão se relacionava ao um ponto que ele mesmo não creu prontamente32. Sua defesa se pautou em demonstrar como o agir de Deus foi revelado, primeiro a Cornélio, depois a ele e confirmado com a ação do Espírito Santo. Sendo assim, afirmava quem era ele ou os cristãos para resistir ao poder de Deus33 . Portanto, ficando claro ao núcleo duro da igreja, que tanto judeus quanto gentio eram igualmente aceitos poder Deus através da fé.

Texto: Lucas Guimarães Vicente.

31 Seguindo o modelo da sinagoga com Martin ressalta. MARTIN, Ralph P. op. cit. p. 29, 35-37. HURTADO, Larry w. As Origens da Adoração Cristã: O caráter da devoção no Ambiente da Igreja Primitiva. p. 48 – 49; 58-59. Estrutura da sinagoga pode ser visto em: HORSLEY, Richard A. Arqueologia, História e Sociedade na Galileia: o contexto social de Jesus e dos rabis. São Paulo; Paulus, 2000. p. 83-86. Parece ter servido de modo mais geral como centro comunitário com diversas funções além da leitura, do estudo e da oração, entre essas incluir-se-iam reuniões públicas, debates e administração dos negócios comunitários realizados por líderes comunitários, coletas de esmolas, sessões dos tribunais locais, anúncios de achados e perdidos e talvez até refeições comunitárias. Portanto tinha uma função ser uma assembleia que trata de questões econômico-politicas e também religiosas. Além do sábado que era dia de ensino da Torá e celebração, havia dos dias de reuniões: segunda e quinta, denominados dias da assembleia, onde reunia tribunais. Primeiramente era lida a Torá e depois assembleia do tribunal. Era também ocasião para definir dias de jejum público e de oração pública no pátio da cidade e até comercializar produtos. A função da igreja primitiva herda alguns sentidos tratado na Sinagoga. Como a função de assembleia retratado acima, ajuda aos necessitados (At. 6.1-5; Rm. 15.26-27, Rm. 16.2), decisões sociais (I co. 6.4-5), ensino, serviço e oração (At. 13.1, 20.17-18, I Co. 4.17, 12.5, 12.28, Tg. 5.14).

32 WESLEY, John op. cit. p.318, nota 11.4.

33 Idem, p.318-9, nota 11.17. Wesley ainda ressalta que igreja deveria haver uma profunda reflexão sobre as regras de comunhão cristã que excluem alguém de adorar a Deus juntamente com os demais. Devido a isso afirma: “Ó que todos os líderes da igreja deveriam considerar quão ousada é esta usurpação da autoridade do supremo Senhor da Igreja. Ó, que o pecado de resistir assim a Deus não seja atribuído à responsabilidade daqueles, que, talvez, com boa intenção, mas apego extremo as próprias formas, o fizera e estão continuamente fazendo”

Nossa Herança Educacional - Parte VI

Publicado: Sábado, 09 Junho 2018 07:26

  1. Restauração – o que já tem sido feito que nos serve de inspiração. Quem são aqueles que entre nós já se empenharam por uma redenção na educação? Quem inspira (ou inspirou) você?

O Modelo de inspiração e restauração da herança adêmica, seria o ensino da reforma, que observamos seus frutos na Europa ocidental e dos Estados Unidos do século XIX. Este sistema tinha como base o modelo Luterano já citado, de rede de ensino estruturado entre Estado, família e igreja, concebido tanto na formação formal, como cristã, na construção de um pensamento cidadão. 

Calvino, também deu continuidade com um plano educacional para a cidade, com o princípio de que a educação para todos é um meio pelo qual o ser humano alcança a finalidade mais alta de sua vocação, que é a glória de Deus. Por isso, o colégio tinha o fim de instruir as crianças “e prepará-las para o ministério bem como para o governo civil”. Havendo três níveis o Collège de Rive, a escola primária, gratuita e obrigatória de toda a Europa. Depois, a Schola Privata, um colégio privado em 7 séries para jovens até 16 anos. E por último a  Schola Publica, curso superior, com o currículo: teologia, hebraico, grego, filosofia, matemática, retórica, literatura grega e latina.  Tornando a Suiça, num grande centro missionário: “viveiro de pastores para toda a Europa reformada”23 

Em Comenius, seguindo a herança de Lutero, o pai da pedagogia, procura textos apropriados a infância, a meninice, adolescência à juventude, pregando o desenvolvimento do ensino seguindo a ordem que reina na criação. Estrutura a metodologia para ambiente escolar, que não fosse feio, claustrofóbico e desorganizado, porém alegre, inventivo e bonito. Suprime o castigo corporal e enfatiza a importância do processo de ensino-aprendizagem estimulante e alegre24. Tudo para que ensino tivesse o melhor efeito possível, pois acreditava com principal instrumento de redenção do homem caído. 

Wesley, implantou mesma visão de educação dos reformadores Inglaterra, afirmando: “A educação pode assim ser vista como um meio de graça pelo qual a perfeição original da criação (uma criatura de sabedoria e santidade), perdida na queda, poderia ser restaurada.”. Em que a Escola para 6 a 12 anos crianças ambos os gêneros, gratuito para todas as rendas, no formato de internato, como Kingswood School, ou escolas regulares como Foundery School. Dividido em pequenas turmas, com encontro regulares com as famílias.  O curso principal foi projetado para ensinar: leitura, escrita, aritmética, inglês, francês, latim, grego, hebraico, história, geografia e cronologia, retórica e lógica, geometria, álgebra, física, música, biografia religiosa, Bíblia e ética. Para assim:  “quem quer que passe por este curso, cuidadosamente será um acadêmico melhor do que nove em dez dos graduados em Oxford ou de Cambrdge” Além de escolas para adultos, saberem ler e escrever a noite, escolas bíblicas nas igrejas e ensino nas bands, pois acreditava que a pregação e a educação, a mensagem e o ensino são a base para a edificação e consolidação da nova vida em Cristo.25. 

Portanto o ensino reformado retoma herança do ensino das escrituras, que tem como base a reforma do homem caído, tem como fundamento o ensino, começando pela família, dando continuidade com a escola e auxiliado pela igreja. Criando assim, uma comunidade de saber, que faz homens e mulheres pensarem pela cosmovisão cristã, que entende que é Deus e quais são os fundamento e princípios de sua lei, como elas são caminho da justiça e de adoração. Para assim, forma um ideal de cidadania que cria uma sociedade justa e trabalho para serviço comunitário e a glória de Deus. 

Texto: Lucas Guimarães Vicente.

23 McGRAPH, Alister. A vida de João Calvino. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.

24 LOPES, Edson Pereira. Contexto Histórico de Comenius: A Reforma Protestante do Século XVI. In, O Conceito de teologia e pedagogia na Didática Magna de Comenius. Série Descoberta, I. São Paulo: Mackenzie, 2003.

25 SILVESTRE, Gláucia M. O. Educação Metodista e seus Modelos Pastorais. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro; PUC. 2014. p. 41 – 45.

Atos Dos Apóstolos - Parte XXIV

Publicado: Segunda, 04 Junho 2018 09:59

III. PEDRO E A MENSAGEM – 10. 22 - 48

O discurso de Pedro na casa de Cornélio é o exemplo mais próximo oferecido por C.H. Dodd acerca do Kerygma, que significa “proclamação”. Este conceito promovido por Dodd é uma tentativa de apontar um padrão no material de anunciação da igreja primitiva23. Assim, pode perceber que o material de At.10.34-43, é presente nos discursos anteriores de Pedro (2.14-40;3.11-26), e também nas cartas paulinas em I Coríntios 15.3- 5;11.23-26;Rm. 1.2-7 e 10.5-12, e ainda parcialmente nas parábolas e declarações de Cristo, e sendo o evangelho de Marcos, uma Kerygma expendido em forma escrita. Portanto, o Kerygma segue o padrão24:

a. Jesus inaugura o cumprimento das profecias messiânicas. (At. 10.36 -38/ com paralelismo no Antigo Testamento, respectivamente Is. 52.7, Is. 9.1 e 2 e Is. 61.1)

b. Saíra por toda parte, fazendo o bem e realizando milagres. (At.10.38).

c. Foi crucificado de acordo com plano de Deus (At. 10.39 – 41) 

d. Retornará, a fim de julgar aos homens (At. 10.42).

e. Portanto, arrependei-vos e crede e sede batizados. (At.10.43,44 e 48)25 .

E desta forma, indica a importância pensarmos no formato de como anunciamos a Cristo, já que esta estrutura é adaptada a cultura religiosa judaica, por isso, inicia, indicando os elementos messiânicos de Cristo, e a confirmações da ação do poder de Deus em sua vida. Devido a isso, os religiosos questionavam que raiz do seu poder não era Deus e sim Belzebu, pois se fosse de Deus, eles não poderiam rejeitá-lo. Em seguida, o caráter dual messiânico, de servo que morre na cruz pelos nossos pecados e rei que retorna para julgar e governar o mundo, e por último o arrependimento, ou seja, voltar-se a fé Cristã. Assim, devemos pensar como nossa mensagem deve chegar as pessoas de uma forma que elas possam entender. Como Paulo, fez em Atena, adaptando este formato a Cultura grega (At.17.22 – 31).

A revelação de Deus na visão de Pedro, no seu discurso e na confirmação com a descida do Espírito Santo, demonstrou por uma vez por todas que o evangelho e para todo aquele que crê, não apenas aos judeus26. Assim, a descida do Espírito Santo se assemelhou aquela do dia de pentecostes em Jerusalém (At.2.4), na oração dos Apóstolos (4.31), em Samaria (8.17), e indicou que tanto os gentios quanto os judeus eram igualmente aceitáveis a Deus através da fé27 (At.11.18), e apontando que toda ação do Espírito Santo tem que ter um fim proveitoso (I. Cor. 12.7). Já que no primeiro caso, eles precisavam ser revestidos do poder para fazer a missão (Lc. 24.49 e At.1.4), no segundo caso estavam com medo da perseguição (Atos. 4.23,26,27), por isso queriam o consolo do Espírito para continuarem (4.29-31), no terceiro caso foi uma confirmação que mensagem deveria ser levada aos samaritanos e por último no mesmo caso só que aos gentios.

Wesley ainda ressalta a frequência da figura do Espírito Santo, no livro de Atos. Demonstrando como ele é um elemento fundamental na vida do cristão, por isso, os Apóstolos e discípulos na palestina foram cheios do derramar do Espírito (At.2.4), os diáconos escolhidos eram cheios do Espirito Santo (At. 6.3), como Barnabé (At. 11.24) também os discípulos no mundo grego estavam transbordantes do Espirito Santo (At. 13.52). E ainda no discurso de Pedro afirma que o próprio Cristo foi ungido com o Espírito Santo28 .

Pedro não diz que os gentios têm o batismo do Espírito, portanto não precisam do batismo com água. Mas é exatamente o contrário: se eles receberam o Espírito, batize-os com água, uma vez que a descida do Espírito Santo representava a confirmação da missão de Deus aos gentios, sendo assim, quem eram os homens para impedir sua entrada no Cristianismo. Lembrando, que o batismo para igreja primitiva, era uma iniciação para aqueles que creiam, ou seja, era seu primeiro ato de fé29. (At.16.15, 33-34, 18.8 e At.19.3- 5)30 .

Texto: Lucas Guimarães Vicente.

23 GUNDRY, Robert. Panorama do Novo Testamento. 4° Ed. São Paulo; Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. 1987. p. 80 e 248. TENNEY, Merril C op. cit. p. 240.

24 Idem, p.80.

25 Idem, p. 248 e 80.

26 Idem.

27 TENNEY, Merril C op. cit. p. 240.

28 WESLEY, John op. cit. p.317, nota 10.38.

29 MARTIN, Ralph P. Adoração na Igreja Primitiva. São Paulo; Vida Nova, 2012. p. 127.

30 Lutero representa muito bem este processo de inicação na fé “[a Fé] uma chama espiritual viva, por meio do qual corações são incendiados, nascidos de novos e convertidos por meio do Espírito Santo, de maneira que eles desejam, querem, fazem e são extamente o que a Lei de Moisés expressamente determina e requer (Jr. 31.33; I Co. 3.3; Rm.3.27; 8.2; II Co 4.13) Pois a viva palavra de Deus Cristo, quando pregada concede o Espírito, o qual escreve a lei de Deis e, nosso coração com fogo vivo, assim como acontece com Cornélio At 10.44, e novamente em Gl. 3.2 “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Por isso o evangelho é chamado de palavra da vida em Jo.6.68”. (AE 36.200-201) in Bíblia de Estudo da Reforma, op. cit. p. 1833, nota 10.44.

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