Na época de Cristo nenhum judeu levava armas, exceto os guardas do templo, que ficavam num meio termo entre porteiros e policiais, e os samaritanos, aqueles falsos judeus, aqueles párias, que alegremente se engajavam no exército romano, a fim de agirem de maneiro oposta à do verdadeiro judeu.  Então os soldados e oficiais que encontramos no Novo Testamento não eram, portanto, judeus, mas ás formações auxiliares, em pequeno número, que permaneceram na palestina era composta de estrangeiros. Como no caso um oficial “centurião da corte, chamada a italiana”, um oficial romano, de origem italiana, enviado as tropas samaritanas ou trácias; ou Júlio.

Mas nas casas judias existiam sem dúvida armas de caça que podiam ser usadas para outros fins: arcos de madeira dura com corda de tripa, e fundas exatamente como aquela que o jovem Davi usou para matar Golias.

Apenas a existência de armas caseiras poderia explicar o fato de ser sempre fácil fazer entrar grande número de combatentes no campo de batalha toda vez que explodia uma das muitas revoltas contra os herodianos ou, mais tarde, contra os romanos.

Não dá para precisar maneira que os coletores abusavam e roubavam o povo, mas dá para afirmar que os coletores de impostos cobravam “mais do que o estipulado”. Os empregados do imposto de renda eram portanto, cordialmente odiados e desprezados; parte por roubarem e parte por servirem os pagãos.

Formavam uma verdadeira casta; e quando um membro da família se tornava publicano todos os demais o seguiam.  Os impostos civis não eram os únicos: tributos religiosos tinham de ser pagos além dos arrecadados pelos romanos, como os dízimos dos produtos agrícolas entre outros.

Os escribas citavam menos de vinte e quatro taxas devidas ás autoridades religiosas, que os judeus nem sempre estavam dispostos a cumprir essas obrigações. Os romanos reconheciam esses impostos e eles tinham um caráter oficial. As autoridades do templo gozavam de todas as facilidades para a coleta do dinheiro e o seu transporte era protegido pelas tropas imperiais.

Os tributos religiosos se enquadravam de modo geral em duas categorias: o imposto do templo, ou seja, a verdadeira oferta ao templo, tinha como finalidade a manutenção do santuário e o sustento dos sacerdotes oficiantes. Ele era arrecadado em toda parte do décimo-quinto dia do mês de Adar, isto é, 12° mês, qual precedia a Pascoa. Todo israelita adulto, o que incluía todo judeu com mais de treze anos, devia pagá-lo, fosse ele rico ou pobre.

Segundo a tradição o preço era meio siclo, como o próprio Senhor declarara a Moisés. Com base  no evangelho de Mateus, sabemos que nos dias de Cristo era o valor de duas dracmas, ou cerca de cinco “shillings”.

O segundo era dízimos, quais os rabinos estabeleceram como princípio que todos os produtos do solo, dos quais não fosse dado o dizimo, eram impuros e o fato de comê-los ficou sendo considerado pecado grave. Era preciso dar o dízimo das ovelhas do rebanho assim como dos ovos do galinheiro ou mesmo, como vemos no evangelho, das mais humildes plantas usadas na cozinha, como a hortelã, o endro e o cominho. O dizimo só não era recolhido no ano sabático.

De fato, o preparo dos carros que levariam as primícias e dizimo ao templo era uma espécie de feriado rural. Havia um modo adequado e aceito de prepara-los: a cevada tinha de ser colocada primeiro, no fundo, depois o trigo e as tâmaras, a seguir as romãs, os figos e azeitonas, e bem no alto, as uvas.

Devidamente carregado e decorado com ramos e flores, os carros se reuniam em um dos 24 centros, e depois seguiam em procissão pitoresca ao som de salmos até Jerusalém, onde eram alegremente recebidos pelos dignitários religiosos e pela multidão de povo comum.