Havia então aquelas famílias ampliadas, cujos grupos, eram chamadas casas e recebiam o nome de seu fundador real ou suposto – grupos que imitavam essencialmente os clãs, esses conceitos tradicionais já não tinham quase significado na época de Cristo, pois haviam praticamente desaparecido. O termo “casa” era ainda usado como expressando uma descendência ilustra. A tribo a que o indivíduo pertencia, só tinha significado para os membros da tribo de Levi, pois era única que dava a ela privilégio de servir no templo. Contundo não quer dizer que não havia certo orgulho em pertencer a tribos, como a Judá ou Benjamin, aquelas tribos que repovoaram a terra santa com verdadeiros seguidores de Deus depois do exílio.

As distinções verticais, uma estratificação social não era baseada pelo dinheiro, mas pelos status quo de um grupo perante a sociedade. Por isso único que poderia reivindicar essa precedência, era o sacerdotes, por possuir a dignidade religiosa, uma que vez ela dá acesso ao poder político, religioso e econômico, no sinédrio e templo. Lembrando que não distinções ou divisões do que é religioso, econômico e político, tudo é uma coisa só.

Em teoria, portanto a alta nobreza era composta das cabeças das oito famílias que tinham a honra de suprir a madeira para as ofertas queimadas no templo e dentre as quais era escolhido pelo sumo sacerdote e tesoureiro. Mas na prática a classe sacerdotal perdera grande parte de sua posição desde que permitirá que os escribas, cuja importância será estudada mais tarde, se estabelecessem como especialistas na lei santa e como defensores dos padrões tradicionais. Assim não há apenas uma voz de Deus ou representante, e sim uma dicotomia de vozes tanto de escribas como de sacerdotes.

O princípio religioso era absoluto: com exceção da classe sacerdotal, que era tida como possuindo uma graça especial, por sua linhagem ter sido escolhida por Deus para seu serviço. Já outros grupos sociais mantinham estritamente uma posição de igualdade entre eles, “são hebreus? também eu. são israelitas? também eu. São da descendência de Abraão? também eu”. Ou seja, todos são iguais. Então um plebeu romano encontrando um abastado patrício em sua toga listada de púrpura a caminho do senado, com todos os seus clientes á sua volta, não se sentia igual; mas o mais desgraçado dos fiéis, de pé no átrio do templo, com os braços levantados para o céu em oração, sabia que os olhos de javé ele era tão bom quanto Herodes.

Para Cristo, por conseguinte a igreja primitiva, o homem rico e poderoso era claramente uma criatura infeliz, que tinha tanta dificuldade em entrar ao reino dos céus como o camelo em passar pelo buraco de uma agulha, enquanto o pobre e o rejeitado obtinham favor por toda eternidade. Esta doutrina já era tão popular em Israel que uma virgem como Maria, improvisando as esplêndidas palavras do magnificat diante de sua prima Isabel, louvou o Senhor porque “derrubou dos seus tronos os poderosos e exaltou os humildes".

Bibliografia:

DANIEL – ROPS,  Henri. A vida Diária Nos Tempos de Jesus. 3ª ed. rev. São Paulo; Vida Nova, 2008. p. 160-163.