Em Israel a família era autônoma, este grande grupo familiar não é encontrado nos evangelhos, mas apenas casais. O pai era realmente o chefe da família e isso no sentido mais amplo da palavra “cabeça”. A esposa o chamava até mesmo de Baal, senhor, ou Adon, mestre. A expressão “casa do pai” era usada para a família na linguagem comum. Em teoria os filhos e filhas eram sua propriedade absoluta e ele podia dispor dele como quisesse; se decidisse fazer isso, podia vendê-los como escravos. Mas com tempos estas regras abrandaram. O oikia significa a família, a casa em que vivia e suas possessões.

A mulher também era considera uma posse, a justificativa esta nos Dez Mandamentos que diz “não cobiçaras a casa do teu próximo. não cobiçaras a mulher do teu próximo, nem o servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”. Pois a passagem ao exemplificar o que homem não deve cobiçar do seu próximo, lista diversos bens e inclui a mulher, logo então ao listar junto bens a mulher e também um bem. Esposa lhe pertencia como qualquer outro bem. A mulher era de tal forma considerada como sujeita ao marido que segundo a lei a mulher de um escravo era vendida juntamente com ele . A esposa era excessivamente valiosa e ninguém mais tinha o direito de tocá-la, além de marido.

A mulher devia total fidelidade ao marido, mas não podia exigir isso dele. O marido não tinha o direito de vende-la, mas não havia dificuldade em repudia-la; os casos em que a mulher podia pedir o divórcio eram, por outro lado, extraordinariamente raros. Sua posição na sociedade era inferir sob todos os aspectos. Por isso ditado Rabino afirmava que todo homem devia agradecer diariamente a Deus por não ter nascido mulher, nem pagão nem operário.

As mulheres não comiam com os homens, mas ficavam de pé enquanto eles comiam, seriando-as á mesa. Nas ruas e nos átrios do templo, elas ficavam a certa distancia dos homens. Sua vida se passava em casa, e com frequência as janelas que davam para a rua tinham grades, para que não fossem vistas, nos primeiros tempos elas nunca saiam sem véu, era impróprio que um israelita  falasse a uma mulher na rua, até mesmo – na verdade, acima de tudo – se fosse sua esposa. Aos olhes da lei a mulher era considerada menor, irresponsável: o marido podia recusar qualquer compromisso por ela assumido, e a parte prejudicada não encontrava qualquer apoio legal. Isso não significa que não tivesse direitos. Basta ler os capítulos 21 e 22 de Deuteronômio, qual  protegia a moça ser seduzida por um homem e ainda mais a violada por ele, a mulher cuja honra tivesse sido difamada.

Além da manutenção total da mulher cabia ao marido, que deveria dar-lhe teto, alimento e vestuário segundo sua posição e meios, caso não fosse mantida adequadamente, ela poderia pedir auxilio e proteção ao Pai e este repreenderia o genro. Em geral não era necessário, pois os israelitas gostavam de ver suas esposas bem vestidas, adornadas com colares, anéis e broches, e que soubessem que em sua casa havia abundancia de farinha de trigo, mel e óleo; pois assim javé trata a sua esposa, a raça escolhida, na famosa passagem de Ezequiel.

A posição da mulher judia no mundo religioso era definida na declaração perseverada na Talmud: “As mulheres ficam isentas de todos os deveres ...” isto indica que elas não precisavam recitar o shema, comparecer á leitura da lei, nem usar filactérios e roupas franjadas, viver em tendas  na festa dos tabernáculos, e assim por diante, mas essas coisas não lhe são proibidas, e os rabinos diziam: “diante de todo os mandamentos da torá, homens e mulheres são iguais”.

Já importância da no espaço econômico mulher, era que fazia pão, moendo o grão entre as pedras do pequeno moinho que havia em toda casa, amassava a mistura com as mãos, levava a massa crescida numa gamela de madeira sobre a cabeça  e a assava, seja colocando-a no forno ou espalhando-a sobre uma chapa quente de metal para faze pãezinhos; e cabia também a mulher busca água na fonte, e ver um homem na rua levando também competia a mulher, cujo deve consideram simbólico; e ela tinha de cuidar particularmente do óleo muito puro para a lâmpada do sábado.

A Tradição rabínica via a mulher, como fúteis, como diz Isaias, tagarela, pois o “ o Senhor deu dez medidos de palavras para toda a humanidade; as mulheres se apossaram de nove delas”, além de serem “ cobiçosas e ociosas, invejosas e briguentas, assim são as mulheres: elas também ouvem atrás das portas; e também “de que parte do homem tirarei a mulher?” perguntou-se o todo poderoso,  da cabeça? seria muito orgulhosa, do olho?  Seria muito inquisitiva. da orelha? Escutaria as conversas, da boca? falaria demais, da mão? seria desperdiçada”. No final ele tomou uma parte obscura de bem escondida no corpo, na esperando de faze-la modesta”.

Contudo nem toda cultura rabínica era avessa a mulher, uma lenda encantadora é atribuída ao mais ilustre deles, o rabino Gamaliel o professor de Paulo. “certo imperador  disse ao sábio,  o teu Deus é um ladrão; para fazer a mulher teve de roubar uma costela do adormecido adão. O letrado não soube responder, mas sua filha disse: deixe que eu cuido  disso. Ela foi procurar ao imperador e falou-lhe: pedimos justiça, de fato? O imperador disse por que? Ladrões entraram em nossa casa á noite, eles levaram um jarro de prata e deixaram um de ouro em seu lugar. Riu, o imperador e disse gostaria de ter ladrões assim todas as noites. Bem, replicou a moça, foi isso que nosso Deus fez: ele tomou uma simples costela do primeiro homem, mas em troca deu-lhe uma esposa.

A cultura bíblica de provérbios e Eclesiastes, já reforça a imagem da mulher como algo valioso o tesouro do lar. Como por exemplo a passagem de provérbios  “ feliz o homem cuja esposa é fiel e coroa a sua vida de paz. prospera aquele que tem boa mulher; onde os homens são tementes a deus esta é a recompensa de ser serviço, ânimo dado igualmente a ricos e pobres; entra dia, sai dia, jamais um olhar triste”. E mais adiante, “a esposa ativa traz satisfação ao marido; saúde para os seus ossos é o bom senso dela. não há presente”.

Mas a definição de adúltero para a mulher não era a mesma que para o homem. Toda mulher infiel deveria ser considerada adúltera, diz eclesiástico, porque ela quebra a lei do altíssimo, é falsa para com o marido, dando-lhe como herdeiro um filho que não é seu, e se contamina. Os interesses da família exigiam a mais severa punição do adúltero da mulher; mas a fidelidade do marido, por outro lado, não era tão enfatizada, desde que a sua má conduta não tinha efeito sobre a família.

O adúltero masculino só era crime se ele seduzisse uma mulher que estivesse noiva ou fosse casada, porque então estaria prejudicando a família de outrem. Se fosse apanhada em flagrante era condenada á morte. Eles a arrastavam “pela gola do vestido” diante do povo e a matavam, a morte por apedrejavam foi estabelecida em Deuteronômio apenas no caso das noivas infiéis. Em teoria a mulher não tinha o direito de pedir divórcio: a única maneira de consegui-lo era tornar-se tão desagradável ao marido que este viesse a tomar a iniciativa.

Portanto a sociedade judaica era patriarcal, onde a mulher era colocada a margem, contudo não podemos dizer machista, por que não há esta noção moderna. Mas a mulher pela cultura bíblica era valorizada, como também por alguns ideias rabínicos, quais no cristianismo terão maior espaço de participação e a ação. Contudo isso fica para outro estudo.

               

Texto: Lucas Vicente

DANIEL – ROPS,  Henri. A Vida Diária Nos Tempos de Jesus. 3ª ed. rev. São Paulo; Vida Nova, 2008. p.  144 - 154.